Respostas claras para as principais dúvidas da internet.

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O que é Marcação a Mercado? Entenda Por Que a Renda Fixa Pode Oscilar Antes do Vencimento

Resposta rápida

Marcação a mercado é a atualização do valor de um investimento com base no preço pelo qual ele poderia ser negociado naquele momento no mercado. No caso dos títulos de renda fixa, isso significa que o valor exibido antes do vencimento pode subir ou cair conforme mudam as taxas de juros, as condições econômicas, a oferta e a demanda e, em títulos privados, a percepção de risco do emissor.

Essa é a razão pela qual um título de renda fixa pode aparecer:

+3%

em determinado momento

e depois:

−2%

no aplicativo, mesmo que sua regra de remuneração contratada não tenha sido alterada.

Em termos simplificados:

taxa de mercado sobe → preço do título tende a cair

taxa de mercado cai → preço do título tende a subir

A marcação a mercado é especialmente importante para quem pretende vender o título antes do vencimento.


O que é marcação a mercado?

Imagine que você comprou um título de renda fixa hoje.

No momento da compra, ele possui:

  • um preço;
  • uma taxa;
  • um vencimento;
  • uma regra de remuneração.

Amanhã, as condições do mercado podem mudar.

Outros investidores podem passar a exigir:

  • juros maiores;
  • juros menores;
  • prêmio de crédito maior;
  • prêmio de crédito menor.

Isso altera quanto o seu título vale naquele momento.

A marcação a mercado busca justamente responder:

“Quanto este título vale hoje se eu precisar vendê-lo?”

O Portal do Investidor descreve a marcação a mercado como o ajuste diário do preço do título conforme as condições econômicas e as mudanças das taxas de juros.


Renda fixa pode variar de preço?

Sim.

Esse é um dos pontos que mais confundem investidores iniciantes.

A expressão:

renda fixa

não significa:

preço fixo.

Ela significa que existe uma regra de remuneração definida.

Exemplos:

  • 12% ao ano;
  • IPCA + 6%;
  • 100% do CDI.

Mesmo assim, o preço pelo qual esse investimento pode ser vendido antes do vencimento pode variar.


💡 Você sabia?

Um título pode apresentar rentabilidade negativa no aplicativo e ainda assim continuar seguindo exatamente a regra contratada para o vencimento.

A oscilação exibida antes da data final pode simplesmente representar:

o preço atual de mercado.

Isso é diferente de afirmar que o emissor deixou de cumprir sua obrigação.


Qual é a relação entre preço e taxa?

Essa é a regra central para compreender a marcação a mercado em títulos prefixados e indexados à inflação:

taxa ↑ → preço ↓

taxa ↓ → preço ↑

Esses dois elementos normalmente se movimentam em direções opostas.

Vamos entender por quê.


Exemplo simples: você comprou um título a 10%

Imagine um título hipotético que pagará:

R$ 1.000 no vencimento.

Hoje, considerando determinada taxa de juros, você paga:

R$ 900.

Agora imagine que as taxas de mercado subam bastante.

Novos investidores conseguem encontrar investimentos semelhantes oferecendo retorno maior.

Seu título antigo precisa ficar mais barato para continuar competitivo.

Então seu preço pode cair, por exemplo, para:

R$ 860.

Nada necessariamente mudou no valor que será pago no vencimento.

O que mudou foi:

quanto alguém aceita pagar hoje por esse direito futuro.


E se as taxas caírem?

Agora imagine o movimento contrário.

Você possui um título contratado quando as taxas estavam altas.

Depois:

as taxas de mercado caem.

Seu título antigo, que possui uma remuneração mais elevada, fica mais interessante.

Outros investidores podem aceitar pagar um preço maior por ele.

Então:

preço do título sobe.


Por que preço e juros se movimentam em sentidos opostos?

Considere dois títulos semelhantes.

Título antigo

Taxa:

10% ao ano

Título novo

Taxa:

14% ao ano

Se ambos custassem o mesmo, qual você escolheria?

Provavelmente o de:

14%.

Então o título antigo precisa ficar mais barato para oferecer um retorno competitivo para quem o comprar naquele momento.

É por isso que:

juros maiores pressionam preços para baixo.


Exemplo com Tesouro Prefixado

Imagine que você compre:

Tesouro Prefixado

a uma taxa hipotética de:

10% ao ano.

Depois, as taxas de novos títulos semelhantes sobem para:

13% ao ano.

Seu título antigo se torna menos atrativo.

Se abrir o aplicativo, poderá observar:

queda no valor de mercado.

Se vender naquele momento:

pode realizar um retorno inferior ao inicialmente esperado.

O próprio Tesouro Direto destaca que a venda antecipada do Tesouro Prefixado sofre os efeitos da marcação a mercado.


E se o Tesouro Prefixado valorizar?

Imagine:

Você comprou:

13% ao ano.

Algum tempo depois, o mercado passa a oferecer:

9% ao ano.

Seu título anterior ficou relativamente mais interessante.

Seu preço pode subir.

Se vender antecipadamente:

pode obter um ganho de mercado.


Exemplo numérico simplificado

Imagine um título que pagará:

R$ 1.000 daqui a um ano.

Se o mercado exige retorno de:

10%

o preço aproximado seria:

R$ 1.000 ÷ 1,10

Resultado:

R$ 909,09.

Agora imagine que a taxa de mercado suba para:

15%.

Preço aproximado:

R$ 1.000 ÷ 1,15

Resultado:

R$ 869,57.

A taxa subiu.

O preço caiu.


Agora faça o movimento contrário

O título continua pagando:

R$ 1.000 no futuro.

Mas a taxa de mercado cai para:

5%.

Preço aproximado:

R$ 1.000 ÷ 1,05

Resultado:

R$ 952,38.

Portanto:

taxa ↓

preço ↑


Como funciona a marcação a mercado no Tesouro Direto?

No Tesouro Direto, os títulos possuem preços e taxas que variam ao longo do tempo conforme as condições de mercado. O programa disponibiliza inclusive histórico de preços e taxas dos títulos.

Quando o investidor vende antes do vencimento, o valor recebido depende do preço de mercado daquele momento.

Por isso, a recompra antecipada pode resultar em:

  • retorno superior ao esperado;
  • retorno inferior;
  • eventualmente prejuízo em relação ao valor investido.

Tesouro Direto permite vender antes do vencimento?

Sim.

Existe possibilidade de venda antecipada segundo as regras do programa.

No caso do Tesouro IPCA+, por exemplo, a B3 destaca que a recompra antecipada utiliza marcação a mercado, fazendo com que o valor obtido possa variar conforme as condições do momento.


O que acontece se eu levar o título até o vencimento?

Em títulos cuja estratégia considera permanecer até o vencimento, a marcação a mercado durante o caminho deixa de ser o fator central para a remuneração contratada.

A ANBIMA explica que, mantendo determinados títulos até o vencimento, o investidor recebe a remuneração combinada na aquisição, enquanto a marcação a mercado se torna especialmente relevante quando existe intenção de sair antes.

Isso pressupõe, naturalmente:

que o emissor cumpra a obrigação.

Por isso, marcação a mercado e risco de crédito são conceitos diferentes.


Então posso ignorar a oscilação se vou levar até o vencimento?

Depende do contexto.

Se o objetivo, o prazo e o vencimento estiverem bem alinhados, as oscilações intermediárias podem ter menos importância prática.

Mas você não deveria ignorar:

  • risco do emissor;
  • possibilidade de precisar do dinheiro antes;
  • mudança do objetivo;
  • liquidez;
  • tributação;
  • concentração.

Além disso, observar o valor de mercado ajuda a entender o verdadeiro valor econômico atual da posição.


Quando a perda vira prejuízo realizado?

Imagine:

Valor investido:

R$ 10.000

Valor de mercado atual:

R$ 9.200

Se você não vendeu, existe uma:

desvalorização de mercado.

Se você vende por:

R$ 9.200

a perda é efetivamente:

realizada.

Antes da venda, a posição pode voltar a subir ou cair ainda mais.


E quando o ganho vira lucro realizado?

Imagine:

Investimento:

R$ 10.000

Valor de mercado:

R$ 11.500

Você vende.

Resultado:

R$ 1.500 de ganho bruto, desconsiderando custos e tributos.

Esse ganho foi realizado por meio da venda antecipada.


💡 Você sabia?

Existe uma diferença importante entre:

“meu título está negativo”

e:

“perdi dinheiro definitivamente”.

Se o título não foi vendido, o preço de mercado pode continuar mudando.

Por outro lado, isso também não significa que toda queda será automaticamente recuperada em qualquer situação.

É necessário considerar o título, o vencimento e o risco de crédito.


O que é marcação na curva?

Marcação na curva é uma forma de acompanhar um investimento com base na taxa contratada e no tempo decorrido até o vencimento.

Ela procura mostrar o crescimento teórico seguindo:

a remuneração acordada na aquisição.

A ANBIMA diferencia marcação na curva de marcação a mercado justamente nesse ponto: a primeira acompanha a remuneração contratada, enquanto a segunda busca refletir o valor atual do título no mercado.


Exemplo de marcação na curva

Imagine um título contratado a:

10% ao ano.

Na marcação na curva, o valor seria atualizado progressivamente seguindo essa remuneração.

A trajetória tenderia a parecer mais suave.

Mas esse não é necessariamente o preço que alguém pagaria pelo título naquele momento.


Marcação na curva pode esconder oscilações?

Ela não busca mostrar o preço de negociação atual.

Por isso, se as taxas de mercado mudarem muito, pode surgir uma diferença entre:

valor na curva

e:

valor de mercado.

A marcação a mercado oferece uma estimativa mais próxima do valor econômico pelo qual o título poderia ser negociado naquele momento.


Qual marcação mostra melhor quanto posso receber se vender hoje?

Em termos conceituais:

marcação a mercado.

Ela busca refletir:

o preço atual.

Essa é uma das razões pelas quais a prática aumenta a transparência para investidores.


A marcação a mercado também existe em títulos privados?

Sim.

Além de títulos públicos, a marcação a mercado pode ser aplicada a diferentes títulos privados, como:

A ANBIMA adotou regras de divulgação de valores de referência para esses ativos distribuídos a investidores, ampliando a transparência sobre os valores de mercado.


Como funciona em debêntures?

Em debêntures, o preço pode variar por pelo menos dois grandes fatores:

Mudança nos juros

Taxas gerais do mercado sobem ou caem.

Mudança no risco da empresa

O mercado passa a considerar o emissor:

  • mais seguro;
  • mais arriscado.

Ambas podem alterar o preço.


Exemplo de debênture

Você compra:

IPCA + 6%.

Depois:

a empresa se endivida muito.

Seu risco de crédito aumenta.

Investidores passam a exigir:

IPCA + 9%.

Mesmo que a empresa ainda esteja pagando tudo corretamente, o preço da debênture antiga pode cair.


E se o risco da empresa melhorar?

Imagine que a companhia:

  • reduza dívida;
  • aumente caixa;
  • melhore resultados.

O mercado passa a aceitar uma taxa menor.

Então:

spread de crédito ↓

e:

preço do título pode ↑.


Como funciona em CRI?

O preço de um CRI pode variar devido a:

  • juros;
  • inflação esperada;
  • risco dos devedores;
  • qualidade das garantias;
  • liquidez;
  • prazo.

Uma deterioração do crédito também pode gerar marcação negativa.


Como funciona em CRA?

A lógica é semelhante.

Além das taxas de juros gerais, podem influenciar:

  • risco dos devedores;
  • setor do agronegócio;
  • condições das garantias;
  • percepção de crédito;
  • liquidez.

Liquidez influencia a marcação a mercado?

Sim.

Imagine dois títulos idênticos.

Título A

Muito negociado.

Título B

Quase não tem compradores.

Investidores podem exigir um prêmio maior para comprar B.

Esse prêmio pode reduzir seu preço.

Por isso:

menor liquidez pode significar maior taxa exigida e menor preço.


Oferta e demanda também influenciam?

Sim.

O Tesouro Direto cita oferta, demanda e condições econômicas entre os fatores que influenciam o preço de mercado dos títulos.

Imagine que muitos investidores estejam tentando vender determinado ativo e poucos desejem comprar.

O preço pode cair.

Se existe enorme procura e pouca oferta:

o preço pode subir.


Selic influencia marcação a mercado?

Sim, mas não é o único fator.

A Selic influencia toda a estrutura de juros da economia.

Mudanças na política monetária podem afetar:

  • taxas futuras;
  • títulos prefixados;
  • títulos IPCA+;
  • crédito privado.

Mas o mercado também antecipa expectativas.


O preço espera o Copom mudar a Selic?

Não necessariamente.

O mercado financeiro trabalha com expectativas.

Se investidores acreditam que:

a Selic precisará subir no futuro

as taxas dos títulos podem aumentar antes mesmo da decisão oficial do Copom.

Da mesma forma, expectativas de queda podem provocar redução das taxas futuras antecipadamente.


Por que um título sobe quando o mercado espera queda de juros?

Imagine que você possui um título contratado a uma taxa elevada.

O mercado passa a acreditar que os juros futuros serão menores.

Seu título se torna mais valioso porque oferece uma remuneração superior às novas condições esperadas.

Então:

preço ↑.


Por que cai quando o mercado espera juros maiores?

Se o mercado espera que títulos novos pagarão taxas maiores:

seu título atual fica relativamente menos interessante.

Então:

preço ↓.


O que é curva de juros?

Curva de juros representa as taxas negociadas ou esperadas para diferentes prazos.

Podemos imaginar:

  • taxa de 1 ano;
  • taxa de 2 anos;
  • taxa de 5 anos;
  • taxa de 10 anos.

Essa curva muda constantemente.

A marcação a mercado de títulos depende das taxas relevantes para seus prazos e características.


Títulos mais longos oscilam mais?

Geralmente, títulos de prazo mais longo tendem a ser mais sensíveis a mudanças nas taxas de juros.

Isso ocorre porque uma alteração pequena na taxa afeta muitos fluxos futuros.

Por isso, um Tesouro IPCA+ de vencimento distante pode apresentar oscilações relevantes. A B3 observa que títulos IPCA+ podem apresentar variações expressivas devido à marcação a mercado.


Exemplo intuitivo de prazo

Imagine:

Título A

Vence em:

6 meses.

Título B

Vence em:

20 anos.

Se os juros mudam bastante hoje, existe muito mais tempo para essa diferença afetar o valor presente do título B.

Por isso, o título longo tende a ser mais sensível.


O que é duration?

Duration é uma medida utilizada para estimar a sensibilidade de um título a alterações das taxas de juros e também relacionar o prazo médio econômico de seus fluxos.

Sem entrar ainda nos cálculos avançados, podemos pensar:

duration maior → geralmente maior sensibilidade a juros.

Esse conceito merece um artigo próprio posteriormente.


Exemplo simplificado de duration

Imagine dois títulos.

Título curto

Uma alta de juros provoca pequena queda.

Título longo

A mesma alta pode provocar queda maior.

Isso ocorre porque o título longo possui maior sensibilidade às taxas.


Marcação a mercado pode gerar oportunidades?

Pode.

Um investidor que entende o comportamento dos juros pode encontrar ganhos de preço quando as taxas caem.

Imagine comprar um título:

IPCA + 8%.

Depois:

o mercado passa a negociar:

IPCA + 5%.

O título antigo pode valorizar bastante.

Esse ganho pode ser realizado por uma venda antecipada.


Isso significa que devo fazer especulação com Tesouro?

Não necessariamente.

Marcação a mercado pode ser utilizada estrategicamente, mas tentar prever:

envolve risco.

Para muitos investidores, uma estratégia mais simples é:

alinhar o vencimento do título ao objetivo financeiro.


Exemplo de alinhamento de prazo

Objetivo:

faculdade dos filhos em 2035.

Se o investidor compra um título cujo fluxo ou vencimento está alinhado com 2035, a necessidade de vender antecipadamente pode ser menor.

Assim, a marcação a mercado durante o caminho se torna menos relevante para a finalidade principal.


Exemplo de desalinhamento

Objetivo:

comprar casa em 2028.

Título:

Tesouro IPCA+ 2060.

Se precisar vender em 2028, pode encontrar:

  • preço muito alto;
  • preço muito baixo.

Você transformou um objetivo relativamente curto em uma exposição longa às taxas de juros.


Marcação a mercado é risco?

Ela não é propriamente “um risco” isolado.

É um mecanismo de precificação.

Mas ela revela o risco de mercado existente no investimento.

O problema não é o mercado marcar o título.

O problema é:

o preço do título poder estar desfavorável quando você precisar vender.


O que é risco de mercado?

É o risco de perdas devido à alteração de:

  • juros;
  • preços;
  • moedas;
  • índices;
  • outras variáveis de mercado.

A marcação a mercado mostra diariamente o efeito dessas alterações no valor dos ativos.


Marcação a mercado e risco de crédito são diferentes

Marcação a mercado

Mostra o valor atual do título.

Risco de crédito

É a possibilidade de o devedor não pagar.

Um título pode cair de preço mesmo que o emissor esteja financeiramente saudável.

Da mesma forma, uma piora do risco de crédito também pode reduzir o preço.


Exemplo sem problema de crédito

Governo continua pagando normalmente.

Mas juros sobem.

Tesouro Prefixado cai.

Isso é principalmente:

efeito de taxa de juros e marcação a mercado.


Exemplo com crédito

Empresa sofre deterioração financeira.

Investidores exigem mais prêmio.

Debênture cai.

Aqui existe:

marcação a mercado causada por piora do risco de crédito.


Título negativo significa que o emissor está quebrando?

Não.

Essa conclusão é incorreta.

Um título pode ficar negativo simplesmente porque:

as taxas subiram.

É necessário descobrir:

o que provocou a queda?


Tesouro Selic sofre marcação a mercado?

O Tesouro Selic também tem preço de mercado e pode apresentar oscilações, mas tende a ter sensibilidade muito menor do que títulos prefixados e IPCA+ longos.

Por isso, costuma apresentar uma trajetória mais estável.


Tesouro Selic pode ficar negativo?

Pode apresentar pequenas oscilações em certos períodos.

Mas sua sensibilidade normalmente é menor que a de títulos longos.

Isso ajuda a explicar por que o Tesouro Selic é frequentemente utilizado para objetivos de maior liquidez.


Tesouro Prefixado sofre mais?

Pode sofrer oscilações relevantes dependendo do:

  • prazo;
  • mudança das taxas;
  • distância até o vencimento.

Quanto mais distante o vencimento, maior tende a ser a sensibilidade.


Tesouro IPCA+ sofre marcação?

Sim.

O título possui:

inflação + taxa real.

A taxa real negociada no mercado pode subir ou cair.

Isso altera o preço do título.

Por isso, títulos IPCA+ longos podem mostrar oscilações expressivas.


Exemplo com IPCA+

Compra:

IPCA + 5%.

Depois:

mercado passa a exigir:

IPCA + 7%.

Seu título cai de preço.

Agora imagine:

mercado passa a exigir:

IPCA + 3%.

Seu título sobe.


Se tenho IPCA+, por que posso perder dinheiro?

Porque existem duas coisas diferentes:

Remuneração contratada até o vencimento

IPCA + taxa.

Preço de mercado antes do vencimento

Pode oscilar.

Se você precisar vender antecipadamente:

recebe o preço daquele momento.


Quanto mais perto do vencimento, o que acontece?

Mantidas as demais condições, o preço tende a convergir para o valor correspondente ao fluxo final previsto.

Quanto menor o prazo restante:

a sensibilidade a mudanças de juros tende, em geral, a diminuir.

É como se o título estivesse se aproximando cada vez mais de sua “data de encontro” com o pagamento final.


O que significa carregar até o vencimento?

Significa manter o título até sua data final, recebendo os pagamentos previstos conforme as condições do produto.

Nesse caso, a estratégia não depende de encontrar comprador no meio do caminho.


Levar ao vencimento elimina todos os riscos?

Não.

Ainda podem existir:

O que muda é que a oscilação diária de preço tende a ter menos relevância para o resultado final contratado, desde que o emissor cumpra sua obrigação.


O que é custo de oportunidade?

Imagine:

Você contratou:

10% ao ano.

Depois:

novos títulos oferecem:

15%.

Mesmo que mantenha seu título até o vencimento e receba os 10%, existe um custo econômico:

você deixou de poder aplicar aquele mesmo dinheiro a 15%.

A marcação a mercado transforma parte desse custo de oportunidade em preço.


Por que a marcação a mercado aumenta a transparência?

Porque mostra quanto o investimento vale de maneira mais próxima das condições atuais.

Sem isso, um investidor poderia olhar apenas uma trajetória suavizada e imaginar que poderia vender pelo mesmo valor.

A ANBIMA adotou regras de marcação a mercado para ampliar a transparência dos preços de referência dos títulos aos investidores.


Desde quando títulos privados passaram a ter referência de mercado mais visível?

A partir de 2 de janeiro de 2023, instituições participantes das regras de distribuição da ANBIMA passaram a divulgar valores de referência marcados a mercado para determinados títulos, incluindo debêntures, CRIs e CRAs.

Isso fez com que muitos investidores passassem a enxergar oscilações que anteriormente apareciam de maneira menos evidente.


Meu título começou a cair depois da nova regra. Ele passou a ser mais arriscado?

Não necessariamente.

Em muitos casos:

o risco já existia.

O que mudou foi:

a forma como o valor era apresentado ao investidor.

Mostrar a oscilação não cria a oscilação econômica.

Apenas torna o preço de mercado mais visível.


💡 Você sabia?

Um título não ficou “mais seguro” quando aparecia sempre subindo na curva.

Nem ficou “mais arriscado” simplesmente porque passou a mostrar oscilações de mercado.

A mudança de apresentação pode apenas revelar de forma mais transparente algo que já existia.


Por que o valor muda no aplicativo?

O aplicativo pode atualizar a posição considerando:

  • preços de referência;
  • taxas de mercado;
  • spreads;
  • condições de negociação.

Então o saldo pode mudar mesmo sem:

  • novos aportes;
  • retiradas;
  • pagamento de juros naquele dia.

Saldo no aplicativo é quanto vou receber no vencimento?

Não necessariamente.

Se o valor é marcado a mercado:

ele representa aproximadamente o valor atual da posição.

O valor futuro dependerá:

  • do título;
  • da remuneração;
  • dos fluxos;
  • do vencimento;
  • do cumprimento da obrigação.

Saldo no aplicativo é quanto recebo se vender hoje?

Pode ser uma referência, mas o valor efetivo depende:

  • do preço executado;
  • do momento;
  • da liquidez;
  • dos custos;
  • das condições da negociação.

Em títulos pouco líquidos, a diferença entre preço de referência e preço realmente disponível pode ser relevante.


Marcação a mercado pode afetar fundos de renda fixa?

Sim.

Fundos precisam avaliar seus ativos de acordo com critérios de precificação apropriados.

Se os títulos da carteira caem de valor:

cota do fundo pode cair.

É por isso que um fundo de renda fixa pode apresentar:

rentabilidade diária negativa.


Fundo de renda fixa pode perder em um dia?

Sim.

Principalmente fundos com:

  • títulos longos;
  • crédito privado;
  • maior duration.

Se juros ou spreads subirem, os preços dos ativos podem cair.


Crédito privado também sofre marcação?

Sim.

Em 2026, por exemplo, movimentos de abertura de spreads no crédito corporativo geraram marcação negativa em determinados fundos de crédito privado, ilustrando como a percepção de risco pode afetar preços mesmo antes de um eventual evento de inadimplência.


O que significa “spread abriu”?

Significa que o mercado passou a exigir prêmio maior para comprar determinada dívida.

Exemplo conceitual:

Antes:

CDI + 1%.

Depois:

CDI + 3%.

O título antigo precisa cair de preço para se adaptar à nova taxa exigida.


E “spread fechou”?

O mercado passa a exigir prêmio menor.

Exemplo:

Antes:

CDI + 3%.

Depois:

CDI + 1,5%.

O título antigo pode valorizar.


Como saber se uma queda é problema ou oportunidade?

Não existe uma regra simples.

É necessário descobrir:

A taxa subiu porque o mercado inteiro mudou?

Pode ser efeito macroeconômico.

O emissor piorou?

Pode ser risco de crédito.

Preciso vender?

Se não, o impacto pode ser diferente.

O título combina com meu objetivo?

Essa é uma das questões centrais.


Não compre título longo apenas olhando a taxa

Imagine:

IPCA + 8%.

A taxa parece extremamente atraente.

Mas vencimento:

2060.

Se o objetivo é daqui a:

dois anos

existe enorme descasamento.

Uma taxa alta não corrige um prazo inadequado.


A principal defesa contra marcação a mercado

Para muitos investidores, a forma mais simples de lidar com esse risco é:

alinhar vencimento com objetivo.

Isso reduz a chance de precisar vender em um momento desfavorável.


Exemplo: viagem em dois anos

Se o dinheiro será utilizado em dois anos, procure investimentos compatíveis com esse horizonte.

Não faz sentido assumir automaticamente exposição a títulos de 30 anos apenas porque a taxa parece maior.


Exemplo: entrada de imóvel em cinco anos

O ideal é estudar títulos cujo prazo e liquidez estejam próximos da necessidade do dinheiro.

Assim, a estratégia não depende tanto do preço de mercado em uma data aleatória.


Exemplo: aposentadoria em 25 anos

Nesse caso, títulos longos podem fazer mais sentido para parte da estratégia.

Mas ainda devem ser avaliados:

  • vencimento;
  • inflação;
  • risco;
  • diversificação.

Checklist antes de comprar um título sujeito à marcação a mercado

  • Entendi como o título rende.
  • Sei qual é o vencimento.
  • Sei quando vou precisar do dinheiro.
  • Entendo que o preço pode cair.
  • Sei que a taxa e o preço andam em sentidos opostos.
  • Considerei a possibilidade de venda antecipada.
  • Analisei o risco de crédito.
  • Avaliei a liquidez.
  • Entendi se o título é longo ou curto.
  • Sei que o saldo no aplicativo pode variar.
  • Não estou confundindo rentabilidade contratada com preço atual.
  • Estou confortável com oscilações.
  • O vencimento combina com meu objetivo.

Erro 1: achar que renda fixa não oscila

Pode oscilar bastante antes do vencimento.


Erro 2: vender em pânico ao ver saldo negativo

Antes de vender, descubra:

por que o preço caiu?

e:

o objetivo mudou?


Erro 3: ignorar o vencimento

Quanto maior o descasamento com o objetivo, maior a chance de precisar vender em momento inadequado.


Erro 4: escolher apenas pela maior taxa

Taxa alta pode vir acompanhada de:

  • prazo longo;
  • maior risco;
  • baixa liquidez.

Erro 5: achar que Tesouro IPCA+ sempre sobe

O preço pode cair significativamente durante períodos de alta das taxas reais.


Erro 6: achar que saldo negativo significa calote

Pode ser apenas marcação a mercado.


Erro 7: achar que saldo positivo já é lucro garantido

Se não vendeu, o preço ainda pode mudar.


Erro 8: confundir marcação a mercado com marcação na curva

São formas diferentes de apresentar o valor.


Erro 9: ignorar risco de crédito em títulos privados

Uma queda pode ser provocada por deterioração do emissor, não apenas por juros.


Erro 10: pensar que mercado secundário garante bom preço

Pode haver liquidez baixa.


🔎 Não confunda

Marcação a mercado × rentabilidade contratada

Marcação a mercado: valor atual.

Rentabilidade contratada: regra de remuneração.


Marcação a mercado × marcação na curva

Mercado: preço atual.

Curva: evolução pela taxa contratada.


Marcação a mercado × risco de crédito

Mercado: mecanismo de preço.

Crédito: risco de não pagamento.


Marcação a mercado × prejuízo realizado

Uma queda de preço só se torna perda efetivamente realizada quando existe venda, salvo eventos como inadimplência ou outros que afetem diretamente o fluxo do título.


Marcação a mercado × volatilidade

A marcação revela a oscilação.

Volatilidade mede a intensidade dessas oscilações.


Liquidez × marcação a mercado

Liquidez mede a facilidade de vender.

Marcação mede o preço atual.


Mitos e verdades sobre marcação a mercado

“Marcação a mercado atualiza o valor do título conforme o mercado.”

Verdade.

“Renda fixa nunca fica negativa.”

Mito.

Títulos podem apresentar queda de preço antes do vencimento.

“Quando as taxas sobem, o preço dos títulos tende a cair.”

Verdade.

“Quando as taxas caem, o preço tende a subir.”

Verdade.

“Saldo negativo significa que o emissor não vai pagar.”

Mito.

Pode ser apenas variação de mercado.

“Tesouro IPCA+ sofre marcação a mercado.”

Verdade.

“Tesouro Prefixado pode oscilar antes do vencimento.”

Verdade.

“Vender antes do vencimento pode gerar prejuízo.”

Verdade.

“Também posso ganhar com uma venda antecipada.”

Verdade.

“Marcação na curva mostra exatamente o preço pelo qual venderei hoje.”

Mito.

“Títulos longos tendem a ser mais sensíveis às taxas.”

Verdade.

“A marcação a mercado cria o risco.”

Mito.

Ela torna o valor econômico atual mais visível.


Resumo dos principais pontos

  • Marcação a mercado é a atualização do preço de um ativo conforme as condições atuais.
  • Ela mostra quanto um título pode valer antes do vencimento.
  • Renda fixa não significa preço fixo.
  • Taxa e preço normalmente se movimentam em sentidos opostos.
  • Taxa sobe → preço tende a cair.
  • Taxa cai → preço tende a subir.
  • Tesouro Prefixado e Tesouro IPCA+ podem oscilar significativamente.
  • Venda antecipada ocorre pelo preço de mercado.
  • É possível vender com lucro ou prejuízo.
  • Manter um título até o vencimento reduz a importância prática das oscilações intermediárias para a remuneração contratada, desde que o emissor pague.
  • Marcação na curva acompanha a taxa contratada.
  • Marcação a mercado busca representar o valor atual.
  • Debêntures, CRIs e CRAs também podem ter valores marcados a mercado.
  • Juros, liquidez, oferta, demanda e risco de crédito influenciam os preços.
  • Títulos longos tendem a ser mais sensíveis a mudanças das taxas.
  • Saldo negativo não significa necessariamente inadimplência.
  • Saldo positivo não significa lucro realizado até a venda.
  • Alinhar o vencimento ao objetivo reduz o risco de precisar vender em momento desfavorável.

Conclusão

Marcação a mercado é o mecanismo que mostra quanto um investimento vale hoje, e não apenas quanto ele poderá valer caso seja mantido até o vencimento.

Esse conceito explica uma das aparentes contradições mais comuns da renda fixa:

“Se é renda fixa, por que meu investimento está caindo?”

A resposta é:

porque renda fixa define a regra de remuneração, não um preço imutável todos os dias.

Quando as taxas de mercado mudam, os títulos já existentes precisam se ajustar para continuar competitivos.

Por isso:

juros sobem → preços tendem a cair

e:

juros caem → preços tendem a subir.

Esse efeito é especialmente importante em títulos mais longos, como determinados Tesouros Prefixados e IPCA+.

Também aparece no crédito privado.

Debêntures, CRIs e CRAs podem variar conforme:

  • taxas de juros;
  • spreads;
  • liquidez;
  • qualidade do crédito.

A marcação a mercado não deve ser vista automaticamente como algo ruim.

Ela aumenta a transparência e mostra de maneira mais realista quanto o ativo vale naquele momento.

Em determinadas situações, inclusive, pode gerar oportunidades de ganho antecipado.

Mas existe uma regra prática especialmente importante:

quanto maior a chance de precisar do dinheiro antes do vencimento, mais importante é compreender a marcação a mercado.

Para quem estrutura investimentos com vencimentos compatíveis com seus objetivos, as oscilações de curto prazo podem ter importância muito menor.

Por isso, antes de escolher um título apenas pela taxa, pergunte:

“Quando vou precisar desse dinheiro?”

Essa pergunta evita que um investimento teoricamente excelente se transforme em um problema de liquidez e preço.

Depois de compreender a marcação a mercado, existe outro conceito que ajuda a explicar por que alguns títulos oscilam muito mais do que outros diante da mesma mudança de juros.

Esse será o próximo conteúdo:

“O que é Duration?”


Perguntas Frequentes (FAQ)

O que é marcação a mercado?

É a atualização do valor de um ativo conforme seu preço atual de mercado.

Por que renda fixa fica negativa?

Porque o preço de mercado do título pode cair antes do vencimento.

O que acontece quando os juros sobem?

O preço de títulos prefixados e de vários títulos longos tende a cair.

E quando os juros caem?

Os preços desses títulos tendem a subir.

Tesouro Prefixado sofre marcação a mercado?

Sim.

Tesouro IPCA+ sofre marcação a mercado?

Sim.

Tesouro Selic sofre marcação a mercado?

Também possui preço de mercado, mas tende a apresentar sensibilidade menor às taxas do que títulos longos.

Se o título está negativo, eu já perdi dinheiro?

Se não houve venda, trata-se de uma desvalorização da posição a mercado. O resultado efetivamente realizado depende de venda, vencimento e eventual risco de crédito.

Posso lucrar com marcação a mercado?

Sim. Se o preço do título subir e você vender antecipadamente, pode realizar ganho.

Preciso vender antes do vencimento?

Não. Depende do objetivo e das características do investimento.

O que acontece se eu levar até o vencimento?

Em títulos mantidos conforme suas condições, a remuneração contratada até o vencimento se torna o elemento central, desde que o emissor cumpra a obrigação.

O que é marcação na curva?

É o acompanhamento do valor seguindo a taxa contratada ao longo do tempo.

Marcação a mercado e marcação na curva são iguais?

Não.

Debêntures sofrem marcação a mercado?

Sim.

CRI e CRA sofrem marcação a mercado?

Podem ter seus valores atualizados por preços de referência de mercado.

Por que títulos longos oscilam mais?

Porque seus fluxos futuros tendem a ser mais sensíveis a alterações das taxas de juros.

Marcação a mercado é um risco?

É um mecanismo de precificação que revela os efeitos do risco de mercado.


Continue aprendendo


Referências

  • Portal do Investidor — Títulos Públicos: definição de marcação a mercado e oscilação do valor dos títulos.
  • Tesouro Direto — Dúvidas frequentes: atualização diária do valor dos títulos conforme preços de mercado.
  • Tesouro Direto — Tesouro Prefixado: impacto da marcação a mercado em vendas antecipadas.
  • B3 Educação — Tesouro IPCA+: recompra antecipada e efeito da marcação a mercado.
  • ANBIMA Data — Regra de Marcação a Mercado: efeito da MaM para investidores que resgatam antes do vencimento.
  • ANBIMA — Marcação na curva e marcação a mercado: diferenças entre os dois conceitos.
  • ANBIMA — Regra de marcação a mercado de títulos privados: valores de referência de debêntures, CRIs e CRAs.
  • B3 — P.U. Mercado: conceito de determinação do valor atual dos títulos.